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CULTURA
Setembro 2017
Seg, 15 de Fevereiro de 2016 23:28

Entenda o encontro entre o Papa Francisco e o Patriarca de Moscou

Escrito por Por Maria Ximena Rondón e Andrea Gagliarducci (ACI)

ROMA, 12 Fev. 16  (ACI).- O Papa Francisco se encontrará nesta sexta-feira, 12, com o Patriarca Kirill de Moscou e de toda a Rússia no aeroporto internacional José Martí de Havana (Cuba). Este encontro gerou muita expectativa e uma série de perguntas que procuramos responder a seguir.

Por isso, apresentamos alguns pontos para entender este acontecimento histórico que marcará uma nova etapa nas relações entre a Igreja Católica com os ortodoxos russos.

1. Católicos e ortodoxos permaneceram separados quase mil anos

O cisma que causou a separação da Igreja Católica com os ortodoxos aconteceu no século IX, quando o imperador Miguel III exilou Ignácio, o então Patriarca de Constantinopla, e o substituiu por um homem chamado Focio. Sua nomeação foi considerada como uma falta grave porque foi ordenado por um patriarca excomungado e ocupou uma sede que tinha sido usurpada.

O reconhecimento da legitimidade de Focio como patriarca gerou uma tensão entre o Papa Nicolás I e o clero de Constantinopla. O Pontífice pediu para repor Ignácio e ameaçou Focio com a excomunhão caso não deixasse o seu cargo. Este último chegou a negar a autoridade do Papa, iniciando desta forma o processo que seria logo o cisma do Oriente que ocorreu em 1054.

2. Será o primeiro encontro entre um Papa e o Patriarca de Moscou

Os Papas tentaram se aproximar do Patriarca de Moscou, mas até agora não haviam tido êxito para encontrar-se.

O Papa João Paulo II quis se encontrar várias vezes com Alexei II, o então Patriarca de Moscou, mas nunca conseguiu. Isto se deveu à oposição dos ortodoxos “conservadores”.

No ano 1996 Alexei II, rechaçou um convite para se encontrar com São João Paulo II na Hungria. Em junho de 1997, quando já tinham marcado o encontro em Viena (Áustria), o mesmo Patriarca Alexei II cancelou dias antes.

Em 2004, anunciou-se que João Paulo II e Alexei II se encontrariam na Varsóvia no ano 2005. Infelizmente, o Santo Padre faleceu em abril desse ano.

Bento XVI também tentou um encontro, mas Alexei II indicou que se reuniria com o Santo Padre só se a Santa Sé cumprisse com o pedido do Patriarcado de diminuir o trabalho dos missionários católicos na Rússia e na Europa do Leste, o que qualificavam de “proselitismo”.

3. O Papa nunca esteve na Rússia

Durante seu pontificado, João Paulo II quis viajar à Rússia, mas tampouco o permitiram. No ano de 2003, manifestou seu desejo de visitar o país, especificamente Kazán, como escala em sua viagem a Mongolia. A intenção do Pontífice era devolver o ícone de Nossa Senhora de Kazán.

O governo russo recebeu positivamente a notícia, mas infelizmente o patriarcado ortodoxo manifestou que a viagem não era “uma razão para que o Papa João Paulo II visitasse a Rússia”.

Em 2005, Dom Giovanni Lajolo, o então Secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé, indicou que Bento XVI não visitaria a Rússia se sua chegada fosse causar tensão ou descontente e o agora Papa Emérito também não pôde ir.

4. Unidade frente à perseguição aos cristãos

A perseguição religiosa do Estado Islâmico (ISIS) e dos grupos extremistas no Oriente Médio afeta os católicos e os ortodoxos por igual. Os terroristas não reconhecem diferenças entre as distintas confissões cristãs, basta que sejam “adoradores da cruz” para identificá-los como inimigos, persegui-los e acabar com eles.

Este genocídio contra os cristãos é um “sinal de que a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa de Moscou devem estar mais unidas. É necessária esta unidade para responder ao fundamentalismo religioso e para denunciar a perseguição aos cristãos”, explicou ao Grupo ACI Ioan Guaita, um monge ortodoxo da paróquia São Cosme e São Damião da capital russa.

5. Por que Cuba?

Porque é um território neutro. Conforme explicou Guaita, nem na Rússia nem na Itália existem as condições para realizar um “encontro desta natureza”.

“Mas a América é o novo mundo. A Europa é o continente da divisão, enquanto a América representa um continente mais jovem. A eleição de Cuba pode representar uma mensagem de esperança, um sinal de que se podem começar novas relações”, indicou.

 

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